quinta-feira, 18 de março de 2010

.....ACEITE.....

Prece de Aceitação

(Maria Dolores - Psicografia: Chico Xavier)

Se eu pudesse, Jesus,
Queria estar contigo
Para ser a esperança realizada
De quem vai pelo mundo, estrada a estrada,
Entre a necessidade e o desabrigo...

Desejava seguir-te, humildemente,
Sem méritos embora,
Para erguer-me em consolo de quem chora
Mostrando o coração enfermo e descontente.

Queria acompanhar-te nos recintos,
Onde a dor leciona e aperfeiçoa
A fim de ser conforto junto dela
E, manejando a frase terna e boa
Afirmar como a vida é grande e bela!...

Se pudesse, Senhor, conversaria
Com todas as crianças
Para dizer que não te cansas
De criar alegria...
E seria feliz ao converter-me
Em modesto recado,
Informando, Jesus, a todos os velhinhos
Que nunca estão sozinhos,
Porque segues conosco, lado a lado...

Se dispusesse de recursos,
Queria ser a vela pequenina,
Acesa no clarão do sol que levas,
De modo a socorrer aos que jazem nas trevas,
Fugindo, sem razão, da Bondade Divina...
Entretanto, Senhor,
Sei das deficiências que carrego...

Venho a ti como estou,
Por isto mesmo rogo:
Não me deixes a sós por onde vou...

Se não posso, Jesus,
Ser bondade, socorro, paz e luz,
Toma-me o coração
E, perdoando a minha imperfeição,
Esquece tudo o que meu sonho almeja
E ensina-me, Senhor,
Com o teu imenso amor,
O que queres que eu seja.

Medo de Perder (Ciúme)

(Transcrição da Fita “Desenvolvimento Comportamental” – autor ignorado)

O medo de perder é o maior obstáculo para o nosso crescimento. Sobretudo o medo de perder alguém que nós dizemos amar. Essa emoção é a principal responsável pelo nosso sofrimento vital. Pois temos medo de sermos rejeitados pela pessoa que dizemos amar. O medo de perder aparece sob várias formas.

Medo de sermos criticados, rejeitados, de não sermos importantes, ilustres, amados e medo da solidão. Isso tudo se resume numa só palavra: Ciúme.

Ciúme é o medo de não possuir alguém, de não ser dono de alguém. Na relação ciumenta colocamos nós e o outro como objeto, como se objeto e pessoa fossem a mesma coisa. No ciúme temos medo de algum dia sermos rejeitados, dispensáveis à outra pessoa. Esta emoção é sofrimento de apego, torna a relação confusa, sofrida. Isto já vem de nossa cultura quando dizem que o ciúme é a maior prova de amor. O que é justamente o oposto do amor. Na relação amorosa existe identidade: “eu sou independente de você”. Perde-se a identidade quando se diz: “eu sem você não valho nada, pra mim você é tudo”. O amor é solto, livre, vem do verdadeiro querer. Sem prisão de sentimentos, bem o contrário do ciúme, que amarra, prende, condiciona. A pessoa já não é ela mesma, mas ela é o que o outro quer que ela seja. Pra que também ela seja o que o outro quer. É um pacto de destruição mútua. Quando um usa o outro na garantia de não ficar sozinho, de não ser abandonada, passamos a vida inteira com medo de sermos hoje totalmente dispensáveis.

O homem é por definição dispensável, transitório e efêmero, aquilo que passa, isto é bastante real em todas as relações. Hoje somos substituíveis, o mundo sempre existiu sem nós, está existindo conosco e continuará a existir sem nós. Somos necessários aqui e agora. Mas seremos dispensáveis além. O medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade falsa irreal de sermos permanentes, eternos e imutáveis, isso nos leva a crer que as coisas só têm valor, só valem a pena se forem eternas, só se tivermos garantia que sempre será assim como é. Mas como tudo é transitório e mutável pode se transformar. O medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento.

As conseqüências do ciúme são bem claras: se eu tenho medo de não ser amado, de ser abandonado, de ser dispensável a alguém, em vez de eu fazer tudo cada vez melhor, vou gastar toda minha energia, minha vida, para provar que já sou melhor, que já sou o primeiro, o que é mentira e nos conduz ao delírio. A falsidade de nossos atos, nossas iniciativas, nossas considerações, é tudo para mostrar que somos bons, fortes, perfeitos, capazes. Tudo é o medo de perder. É a vontade de ganhar. O medo de perder é assim, ganhando ninguém vai nos tirar. Gastamos nossas energias para defender o que já possuímos, e para conservar o que já ganhamos. Só temos que perder.

Com a vontade de ganhar por outro lado estamos sempre ativos procurando ganhar cada vez mais, ao invés de nos preocuparmos com possíveis perdas. O mais valioso para nós é a nossa vida, e esta nós já vamos perder, o resto é secundário. O medo de perder é justificativo, reativo, a pessoa fica sempre com o pé atrás e o outro no frente, sempre se prevenindo para não perder. A pessoa com vontade de ganhar é sempre ativa, sem medo de arriscar, sem medo de perder, sem a vivência antecipada do futuro, vive a beleza do momento, sabe que em tudo existe riscos e oportunidades. No medo da perda só vê os riscos. Na vontade de ganhar não significa ganhar de alguém, mas de si mesmo. A dar um passo em frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais, ninguém chega a seu limite máximo. Idade adulta não é o máximo de nossa vida, de nossa potência. Não existe pessoa madura, mas em amadurecimento. Quando paramos de crescer vem o sofrimento, e cada um sabe onde paralisou. Onde bloqueou a energia.

Até hoje não vimos um relacionamento deteriorar sem a presença marcante do ciúme, querendo ser o controlador dos sentimentos e ações da pessoa que se diz amar. Um profundo desamor a si mesmo e ao outro também. E a dor da incerteza é a raiva de não ter a segurança absoluta no relacionamento, a insegurança frente ao futuro. A loucura está aí, passamos a vida inteira tentando conseguir segurança. Segurança não existe. Ser seguro não significa acabar com a insegurança, mas sim aceitá-la como inerente à natureza humana. Nós não curtimos o hoje, que é importante, nem nos relacionamentos com os amigos, nem com os filhos. Não temos tempo, estamos cuidando do seu futuro, da nossa segurança.

O ciúme é a incapacidade de vivermos hoje a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto de nossa vida. Viver é deixar cada dia segundo seu próprio cuidado. O medo daquilo que pode acontecer tira a alegria de estar aqui e agora. O medo da morte tira a vontade de viver. Quando temos medo de perder alguém, é porque imaginamos que as pessoas são nossas. E não podemos perder o que não temos. Ninguém é de ninguém. Cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma. Podemos perder tudo, bolsa, carteira, casaco, qualquer coisa, jamais uma pessoa.

Medo de perder é a obsessão do primeiro lugar, é querer ser sempre o primeiro em todos os lugares, em casa, no emprego, com os amigos. O primeiro lugar é amarelante, deteriorante, pois quando alguém chega ao cume da montanha só lhe resta descer. O segundo lugar é verdejante, esperançoso ainda tem aonde ir, para onde crescer. A postura do segundo lugar nos leva ao crescimento contínuo por que você se sente em segundo lugar mesmo que estivesse ocupando socialmente o primeiro lugar, não em relação ao outro mas a você mesmo, ou seja ainda teremos por onde crescer e melhorar.

Você sabe porque o mar é tão grande, tão imenso, tão poderoso? É porque teve a humildade de se colocar apenas a alguns centímetros abaixo de todos os rios do mundo, sabendo receber tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, alguns centímetros acima de todos os rios, não seria o mar, seria uma ilha e toda sua água iria para os outros, e ele estaria isolado. É impossível vivermos satisfatoriamente se não aceitarmos a queda, a perda, a morte. Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Em outras palavras, se temos medo de cair, andar seria muito doloroso. Se temos medo da morte a vida é muito ruim. Se temos medo da perda, o ganho nos enche de preocupações. Esta é a figura do fracassado, dentro do sucesso. Pessoas quanto mais ganham, quanto mais melhoram na vida mais sofrem. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre, quanto mais dinheiro tem, mais preocupada fica. Quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida. Em compensação se você aprende a cair, a errar, a perder ninguém o controla mais. Pois o máximo que pode acontecer a você é cair, errar, perder, e isso você já sabe.

Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade, o ganho, a perda, o acerto, o erro, o triunfo, a queda, a vida e a morte.

Inveja

(Transcrição da Fita “Desenvolvimento Comportamental” – autor ignorado)

O sentimento de inveja é uma das principais causas de infelicidade.

Somente compreendendo a estrutura básica da inveja podemos reconhecer esse sentimento em nós e aprendemos a lidar com ele em nossa vida e nosso comportamento.

O mecanismo intelectual básico responsável pelos ressentimentos é a comparação.

Quando nos comparamos com os outros e nos sentimos, em algum aspecto, inferiores, estamos com inveja. Nem toda comparação leva à inveja, mas esta é sempre resultado de uma comparação.

É a vivência de um sentimento interior sob a forma de frustração, tristeza, mal estar, acanhamento, por nos sentirmos menores, menos, por não possuirmos o que o outro possui, por não sermos o que o outro é. É um desequilíbrio íntimo oriundo de um sentimento de inferioridade fruto da comparação.

Esse processo é muito sutil e encoberto. Escondemos de nós mesmos esse sentimento de inveja através de mecanismos de defesa que desde cedo nos foram sendo ensinados. Não temos consciência de que somos invejosos.

Um dos mecanismos mais comuns é o processo em que ao nos sentirmos menos que os outros nós nos aumentamos, nos vangloriamos, nos enaltecemos para evitar o mal estar do desequilíbrio. Falamos exageradamente bem de nossas próprias coisas e ao mesmo tempo procuramos diminuir o outro através de críticas. Quando criticamos alguém, quando sentimos necessidade de falar mal de alguém, provavelmente estamos nos sentindo inferiores a ele. O arrogante é a pessoa que parte do pressuposto de que é inferior às outras pessoas.

O invejoso é incapaz de ver a luz, a alegria, o brilho, a luminosidade das outras pessoas. A inveja é própria daqueles que não encontraram respostas para a diversidade das pessoas e do mundo. Essa incapacidade de aceitar que as pessoas e as coisas sejam diferentes é uma rejeição da sua própria pessoa como sendo diferente das demais. A inveja é a auto-aversão por não sermos como os outros são.

Toda a nossa cultura é a cultura da comparação e nós aprendemos desde muito cedo a interiorizar esse processo em nosso comportamento. Como tudo está em relação, nós perdemos a capacidade de ver as coisas em si mesmas e só conseguimos entender as coisas e as pessoas em comparação umas com as outras.

Na família, por exemplo, sempre houve alguém que em um ou outro momento nos foi apontado como padrão ou a quem nós fomos apontados como modelo. É imensa a carga de comparação a que somos submetidos em toda a nossa vida. É uma força tão grande que poucas vezes nos damos conta dela.

Todo o sistema escolar é baseado na comparação. Primeiro lugar ... segundo lugar.... último lugar ... classes mais adiantadas... classes mais atrasadas ... notas ... avaliações...

Em outras instituições, na igreja, nas empresas, nos clubes, sempre nos foram dados padrões de modelos a seguir. Sempre fomos convidados a reforçar o caminho da comparação. A força da comparação é tão presente em nossas vidas que poderíamos chamá-la de sangue cultural.

Sem consciência desse processo dificilmente conseguiremos reconhecer, trabalhar e sair do sentimento de inveja. Provavelmente viveremos em estados depressivos constantes, com freqüentes sensações de impotência e inferioridade, em momentos de insatisfação, sem ao menos perceber em nós mesmos qualquer traço de inveja.

A sociedade é sempre comparativa em seus vários instrumentos de transmissão cultural. Nos filmes sempre existem nossos heróis, nossos padrões. Toda propaganda é baseada no processo comparativo entre nós e os modelos que nos são apresentados. A trama base da propaganda consiste em construir um quadro com qualidades de riqueza, poder, prestigio, inteligência, dinamismo, beleza, força, magnetismo pessoal, para que nos comparemos com os ambientes e pessoas apresentados e nos sintamos inferiores, magoados e diminuídos, e em seguida nos é indicada a solução para resolver aquele mal estar: a compra de algum produto que nos fará iguais aos padrões apresentados.

Existe um tipo de comparação com a qual sairemos do processo da inveja, é a autocomparação. Em termos sociais, psicológicos, financeiros, espirituais, estamos hoje melhores ou piores do que há algum tempo?

Há uma grande diferença entre a comparação com os outros e a comparação conosco mesmos. Na autocomparação fortalecemos o nosso ser, o nosso centro, o nosso ponto de equilíbrio. Passamos a nos dirigir de dentro em função do que realmente somos e não em função do que os outros esperam de nós. Nós passamos a ser o nosso único ponto de referência. Passamos a ser donos da nossa própria vida, pois quando nos comparamos com os outros eles são o nosso padrão, somos dirigidos de fora.

A auto-comparação leva a um fortalecimento interior, fortalecemos nossa identidade, reencontramos a nós mesmos. Passamos a ser o nosso próprio ponto de apoio. Na etero-comparação nós nos alienamos, perdemos a nossa identidade e passamos a estar na vida para realizar expectativas fora de nós.

O mundo é o mundo das diferenças. Cada pessoa tem o seu jeito, seu caminho, seu próprio nível, sempre haverá alguém melhor do que nós em algum aspecto. Não estamos no mundo para sermos mais do que ninguém, mas para realizarmos o nosso próprio potencial, sendo cada vez melhores comparados conosco mesmos.

Só quando estamos centrados em nós mesmos e o mecanismo da autocomparação já faz parte do nosso comportamento, é que nos será possível comparar-nos às outras pessoas e aprender com elas, isso é admiração.

No fundo de cada sentimento de inveja existe o sentimento de admiração, mas este só pode desabrochar quando estamos centrados no nosso próprio tamanho, em postura de agradecimento pelo que já somos ou temos. Admiração pelo outro e tristeza conosco é inveja.

Só quando formos padrão de nós mesmos reencontraremos a alegria de ser o que somos, de ter o que temos, de viver como vivemos. Somente o exercício da autocomparação nos levará à auto-aceitação, à realização do nosso próprio tamanho.

“Há cerca de 100 anos atrás um mestre idoso e coberto de honrarias estava à morte. Seus discípulos perguntaram:

- Mestre, você está com medo de morrer?

- Estou, respondeu ele. Estou com medo de me encontrar com o criador...

- Mas como, disse um discípulo, você que teve uma vida exemplar, assim como Moisés tirou-nos das trevas da ignorância...

- Você fez julgamentos justos como Salomão, disse outro discípulo.

O mestre respondeu:

- Quando eu me encontrar com Deus ele não vai me perguntar se fui Moisés ou Salomão, ele apenas vai me perguntar se eu fui eu mesmo.”

Vítima

(Transcrição da Fita “Desenvolvimento Comportamental” – autor ignorado)

Todo comportamento humano decorre da concepção que nós temos da realidade. Existem dois pólos distintos: nós e aquilo que nós somos, nós e aquilo que nos cerca, nós e as outras pessoas. Nossa postura na vida depende do modo como estabelecemos esta relação: a relação entre nós e os outros, entre nós e os membros de nossa família, entre nós e os outros membros de nossa sociedade, entre nós e as coisas, a relação entre nós e o trabalho, entre nós e a realidade externa.

A nossa maneira de viver depende de como cada um de nós interioriza a relação entre as duas partes da realidade, entre dois blocos. A da realidade é uma das formas em que nós aprendemos a nos relacionar com os outros. E a postura que designamos por vítima.

O que é a vítima? É a pessoa que se sente inferior à realidade, é a pessoa que se sente esmagada pelo mundo externo, é a pessoa que se sente desgraçada em face aos acontecimentos. É aquela que costuma ver a realidade apenas em seus aspectos negativos. Ela sempre sabe o que não deve, o que não pode, o que não dá certo. Ela consegue apenas ver a sombra da realidade, em paralelo com a incrível capacidade para diagnosticar os problemas existentes. Há nela uma incapacidade de procurar o caminho das soluções e neste sentido ela transfere os seus problemas para os outros, transfere as circunstâncias para o mundo exterior. Ela não assume a responsabilidade do que está acontecendo e não assume a sua posição na vida, culpa os outros pelo que está acontecendo no seu modo de encarar e perceber a vida.

Esta é a postura da justificativa. Justificar-se é o sinal de que não queremos mudar para não assumirmos o erro, justificamo-nos, ou seja, transformamos o que está errado em injusto. É de justificativas em justificativas, paralisamo-nos impedindo-nos de crescer. A vítima é incompetente na sua relação com o mundo externo. Enquanto colocarmos a responsabilidade total de nossos problemas em outras pessoas e circunstâncias, tiraremos de nós mesmos a possibilidade de crescimento, e em vez disso vamos procurar mudar as outras pessoas.

Este tipo de postura provém do sentimento de solidão, enquanto não percebemos que somos responsáveis pela nossa vida. Por seus altos e baixos, seu bem e seu mal, suas alegrias e tristezas. É quando nossa felicidade se torna dependente da maneira como os outros agem. É quando condicionamos nossa felicidade, paz interior, ao comportamento dos outros, à ação dos outros, quer eles sejam nossos amigos, nossos filhos, nossos pais, nosso conjugue, nossos colegas de trabalho, ou quaisquer outras pessoas que conosco se relacionem. E como as pessoas não agem segundo o nosso padrão, sentimo-nos infelizes e sofredores. Realmente a melhor maneira de sermos infelizes é acreditar que é à outra pessoa que compete nos dar felicidade. E assim mascararmos nossa própria vida, frente aos nossos problemas.

A postura de vítima é a máscara que usamos para não assumir a realidade difícil, quando ela se apresenta. A falta de vontade de mudar, de crescer, da vítima, é escondida sob a capa da pressão externa. Esta é uma das maiores ilusões da nossa vida. Desejamos transferir para a realidade o que não nos pertence sobre a qual não possuímos nenhum controle. As deficiências da parte que nos cabem. Toda relação humana é bilateral, nós e a sociedade, nós e a família, nós e o que nos cerca. O fato de um mundo externo nos apresentar aspectos negativos não quer dizer que nós sejamos perfeitos e o fato de nós possuirmos uma deficiência, não significa que o outro também possua. Essas duas partes da mesma realidade não são antagônicas, não são uma simples relação casual, e sim complementares e integradas. O maior mal que fazemos a nós próprio é usarmos a limitação de outras pessoas do nosso relacionamento para não aceitar a nossa própria parte negativa, assim usamos o sistema como bode expiatório para nossa acomodação no sofrimento.

A vítima é a pessoa que transformou a sua vida numa grande reclamação. Seu modo de agir e estar no mundo é sempre uma forma queixosa, opção que é mais cômoda que uma solução. Para resolver seus problemas a vítima usa o próprio sofrimento para controlar o sentimento alheio, ela se coloca como dominada para dominar os sentimentos das outras pessoas.

O que mais caracteriza a vítima é a sua falta de vontade de crescer. Sofrendo uma doença chamada perfeccionismo, que é a não aceitação dos erros humanos, a intolerância com a imperfeição humana, a vítima desiste do próprio crescimento, ela se tortura com a idéia perfeccionista, com a imagem de como deveria ser, e tortura os outros relativamente àquilo que as outras pessoas deveriam ser. Há na vítima uma tentativa de enquadrar o mundo no modelo ideal que ela própria criou. E sempre que temos um modelo ideal na cabeça é para evitarmos entrar em contato com a realidade. A vítima não se relaciona com as pessoas aceitando-as como são, e sim da maneira que ela gostaria que fossem. É comum querermos que os outros sejam aquilo que não estamos conseguindo ser, desejar que o marido, o filho, o amigo, sejam o que nós não somos. Colocar-se como vítima é uma forma de se negar na relação humana.

Por esta postura não estamos presentes, não valemos nada. Todavia as dificuldades e limitações do mundo externo não apenas um desafio ao nosso desenvolvimento se assumirmos o nosso espaço e estivermos presentes. E assim quanto pior for o doente tanto mais competente deve ser o médico. Quanto pior for um aluno mais competente deve ser o professor.

Assim também quanto pior for o sistema a sociedade que nos cerca, mais competente devemos ser com pessoas que fazem parte desta sociedade. Quanto pior for o nosso filho mais competentes devemos ser como pai ou mãe. Quanto pior for nossa esposa mais competentes devemos ser como marido, quanto pior for nosso marido mais competentes devemos ser como esposa. E assim por diante. Desta forma colocamo-nos em disposição de buscar o crescimento e tomamos a deficiência alheia como incentivo para a nossa mudança existencial. Só podemos crescer naquilo que nós somos, naquilo que nos pertence. A nossa fantasia está em querer mudar o mundo inteiro. Para sermos felizes todos nós temos parte da responsabilidade naquilo que está ocorrendo.

Ave Maria pelos Homens


Ave Maria cheia de graça

Em meus humildes pensamentos

Te peço neste momento
Tua força, a tua luz
Pra ver a estrada que conduz
A uma melhor existência
Dai-me força e persistência
Pra carregar minha cruz.

O Senhor esteja convosco
Nas pradarias e mares
Nas mesas e nos altares
Na casa do homem comum
Que nós gaúchos, nenhum
Esqueçamos como é
Porque irmanados na fé
Nós todos seremos um.

Bendita sois vós entre as mulheres
Nos dando a tranqüilidade
Pra defender a verdade
E os puros de coração
E nos conceda a inspiração
De ser melhor a cada ano
E ensinar o ser humano
A faculdade do perdão.

Bendito o fruto de vosso ventre
Nasceu Jesus o cordeiro
E mesmo eu, simples campeiro
Analfabeto e retirante
Tenho compreensão bastante
Pra entender que o Salvador
Veio trazer mais amor
A esta humanidade errante.

Santa Maria mãe de Deus
Do Teu trono nas alturas
Mãe que governa as venturas
E as bonanças sobre a terra
Perdoa o filho que erra
E oferece amor a ele
Perdoa também àquele
Mau filho que faz a guerra.

Rogai por nós pecadores
Que pelo mundo espalhados
Mergulhamos no pecado
E na luta pelo dinheiro
No sentimento traiçoeiro
Que a estes atos conduz
Quando esquecemos que Jesus
Ensinou o amor verdadeiro.

Agora e na hora de nossa morte
Quando enfim chegar o dia
De dar adeus, quem diria
Às coisas que o mundo tem
Pois na verdade ninguém
Caminhará por outro trilho
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amém.


Florinal Fagundes

São Borja - RS

Coisa de Formiga

Maria Ana Maioli

Em um dia de outono, sentei-me diante de meu jardim e fiquei a observar as folhas mortas que caem com o balançar do vento. Até na natureza Deus dá chegadas e partidas, oportunidades de idas e vindas.

Folhas mortas...Enquanto foram vidas em folhas, quanto se enroscaram umas nas outras no balançar do vento. Quantas derrubadas antes do tempo da mão que poda, que as retira de seu habitat natural, ou quanto enfrentaram sol, tempestade, vento agarradas em seus galhos.

Apenas folhas...Folhas com destino, afinal tudo é vida. Verdes a princípio, amareladas, e com o tempo caídas... Adubo de novas e outras verdes vidas. E sentado diante do jardim continuo a observar, deparando com uma trilha de formigas que passam diante de mim. Uma fila destes minúsculos insetos vem colaborando com sua comunidade, em busca de suprimentos aguardando o inverno que está a chegar. Trabalham arduamente, somam para depois dividir respeitando a lei da sobrevivência. Todas as formigas carregam pequenas folhas seguindo para o mesmo endereço. Noto que uma delas tem um enorme fardo, maior do que pode carregar, um pouco anda e um pouco pára, tentando conseguir forças para prosseguir.

Porém uma de suas companheiras sem carga nas costas nota o imenso esforço, e vindo do final da fila coloca-se a andar rapidamente, e vem socorrer sua exausta semelhante. Seria intuição? Inteligência, para tão pequenino inseto? Onde teria aprendido a solidariedade? Esta coloca-se ao lado da companheira e juntas dividem o peso caminhando no mesmo compasso lado a lado, e eu ali diante de meus olhos vendo esta cena acontecer, logo penso o quanto tenho que crescer. Sou menor que estes pequenos insetos sem cérebro, sem coração, sem emoção.

Seguem as duas até o local do depósito e entram no ninho e somem diante de meus olhos. Acompanho o restante da longa fila que vem atrás, e me levanto. Olho para o céu e me pergunto:- Quem somos nós? Tantos mestres, tantos gurus, e ainda nem sabemos repartir, nem dividir o peso da vida com um desconhecido. Muitas vezes nem ao menos com aqueles que nos dão "Bom Dia" todos os dias, que dormem no mesmo teto e temos como companhia. Encontrei sabedoria, solidariedade, harmonia, lição de vida em um pequeno jardim. Olho para o radiante sol e reflito: Folhas mortas...formigueiro...

Nunca ouvi o gemido das folhas caindo quando chegam ao seu fim. Nunca ouvi o lamento das formigas trabalhando horas a fio, caminhando longos trechos, desviando de vários obstáculos. Abaixo de nossas pés se esconde uma enorme e grande sabedoria.

Aprendi que de vez em quando devo me abaixar e observar, antes de olhar para o alto e clamar.

O Tempo é...


Lento demais para aqueles que esperam ...


Rápido demais para aqueles que têm medo ...


Longo demais para aqueles que sofrem ...


Curto demais para aqueles que estão alegres...


Mas para aqueles que amam...
O Tempo é Eterno!

ESSE NEGÓCIO DE AMOR NÃO SEI EXPLICAR...

Palavras Especiais

(Autor Desconhecido)

SOLIDÃO é uma ilha com saudade de barco.

SAUDADE é quando o momento tenta fugir da
lembrança para acontecer de novo e não consegue.

LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização,
seu pensamento reapresenta um capítulo.

AUTORIZAÇÃO é quando a coisa é tão
importante que só dizer "eu deixo" é pouco.

POUCO é menos da metade.

MUITO é quando os dedos da mão não são
suficientes.

DESESPERO são dez milhões de fogareiros
acesos dentro de sua cabeça.

ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no
meio do sossego.

AGONIA é quando o maestro de você se perde
completamente.

PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que
não aconteceu ainda sair de seu pensamento.

INDECISÃO é quando você sabe muito bem o
que quer mas acha que devia querer outra coisa.

CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára.

INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho
no futuro e volta rápido.

PRESSENTIMENTO é quando passa em você o
trailer de um filme que pode ser que nem exista.

RENÚNCIA é um não que não queria ser ele.

SUCESSO é quando você faz o que sempre fez
só que todo mundo percebe.

VAIDADE é um espelho onisciente, onipotente e
onipresente.

VERGONHA é um pano preto que você quer pra
se cobrir naquela hora.

ORGULHO é uma guarita entre você e o da
frente.

ANSIEDADE é quando faltam 5 minutos sempre
para o que quer que seja.

INDIFERENÇA é quando os minutos não se
interessam por nada especialmente.

INTERESSE é um ponto de exclamação ou de
interrogação no final do sentimento.

SENTIMENTO é a língua que o coração usa
quando precisa mandar algum recado.

RAIVA é quando o cachorro que mora em você
mostra os dentes.

TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu
coração.

ALEGRIA é um bloco de Carnaval que não liga
se
não é Fevereiro.

FELICIDADE é um agora que não tem pressa
nenhuma.

AMIZADE é quando você não faz questão de
você e se empresta pros outros.

DECEPÇÃO é quando você risca em algo ou em
alguém um xis preto ou vermelho.

DESILUSÃO é quando anoitece em você contra
a vontade do dia.

CULPA é quando você cisma que podia ter feito
diferente, mas, geralmente, não podia.

PERDÃO é quando o Natal acontece em Maio,
por exemplo.

DESCULPA é uma frase que pretende ser
um
beijo.

EXCITAÇÃO é quando os beijos estão
desatinados pra sair de sua boca depressa.

DESATINO é um desataque de prudência.

PRUDÊNCIA é um buraco de fechadura na porta
do tempo.

LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário.

RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a
emoção está dormindo e assume o mandato.

EMOÇÃO é um tango que ainda não foi feito.

AINDA é quando a vontade está no meio
do
caminho.

VONTADE é um desejo que cisma que você é a
casa dele.

DESEJO é uma boca com sede.

PAIXÃO é quando, apesar da palavra "perigo", o
desejo vai e entra.

AMOR é quando a paixão não tem outro
compromisso marcado. Não! Amor é um
exagero... também não. É um desadoro... Uma
batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu,
uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole,
uma necessidade,
um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido,

talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor não sei explicar.

SALMO 23

(Adaptação do salmo 23 de Davi , por Bezerra de Menezes)

"O Senhor é o meu Pastor,
E nada me faltará...
A suaves campos me guiou
E me conduziu a fontes
De água fresca e pura...
O Senhor converteu
A minha alma,
Tornou-a humilde
E agradecida...
Elevou-me por estradas justas
Por amor do seu nome...
Ainda que eu me desvie
Pelo vale da dor e da morte,
Não temerei males,
Porque tu, meu Deus,
Estarás comigo !
A tua proteção,
A tua vigilância,
Eu sei que me acompanharão !
E a tua misericórdia irá
Após mim,
Docemente me inspirando
Em todos os dias
Da minha vida,
A fim de que
Eu permaneça
Sob a luz da tua benção,
E também da tua paz,
Pela eternidade
Dos tempos ..."